DICIONÁRIO BDSM

Tentaremos abordar aqui as práticas e termos mais frequentes dentro do BDSM. Esta listagem se propõe a auxiliar os novos a se familiarizarem com alguns termos comumente usados no BDSM mundial. Pretende também servir como um embrião que nos possibilite utilizarmos termos comuns, designando, por sua vez, ideias comuns a todos.

Este dicionário é o que podemos chamar de “obra aberta”, pois se encontra em permanente construção: novos verbetes serão incluídos, periodicamente. Aceitamos também sugestões dos leitores sobre termos e práticas que gostariam que fossem aqui elucidados.

Lembramos sempre que qualquer prática está baseada no credo do São, do Seguro e do Consensual (SSC). Toda e qualquer ação fora destes conceitos deixa de ser erótica e prazerosa, tornando-se patológica.

Limitamo-nos a descrever algumas das atividades mais comuns dentro do BDSM e acreditamos que o leitor terá o bom senso de não praticá-las sem o devido treino e troca de experiências. Alertamos que algumas das ações mencionadas aqui podem causar sérias lesões físicas.

[A]

∙ ABRASÃO ∙

Estimulação da superfície da pele por materiais abrasivos, tais como: couro cru, lixa fina, escovas com cerdas metálicas ou não, etc… Com a intenção de provocar sensações intensas no submisso. Pode ou não deixar marcas temporárias;

∙ AGULHAS ∙

Prática que não é muito comum dentro do BDSM. Consiste no uso de agulhas para se conseguir um efeito psicológico intenso no parceiro. Os casos que temos conhecimento usam agulhas de acupuntura com penetração subcutânea. Relatam-se casos de uso de agulhas hipodérmicas também. Outra prática potencialmente perigosa em função de doenças sexualmente transmissíveis. Registramos que o adepto desta modalidade tem seus conjuntos de agulhas individuais. Não são equipamentos que possam ser emprestados. As agulhas descartáveis são quebradas e jogadas no lixo depois de uma sessão. A regra adotada pelos participantes é a mesma de outras práticas: cabeça e pescoço são regiões proibidas para inserção de agulhas. As regiões corpóreas mais frequentemente utilizadas são: seios, coxas, nádegas, pernas, pés e, em alguns casos, a região genital. As agulhas são de um calibre muito pequeno, e são comumente usadas para acupuntura. Acreditamos que o efeito é muito mais psicológico do que o estímulo da dor física per si;

∙ ALGOLAGNIA ∙

O ato de transformar a dor em prazer sexual. Um sinônimo para sadomasoquismo;

∙ ANAL PLAY ∙
(JOGOS ANAIS)

Qualquer fetiche ou prática sexual concernente ao ânus e/ou reto. Normalmente inclui: sexo anal, rimming, enema e fisting anal;

∙ ANAL TRAINING ∙
(TREINAMENTO ANAL)

Toda e qualquer atividade que vise à preparação do ânus para o “Anal Play”. Normalmente pode durar dias ou semanas, como, por exemplo, um exercício de dilatação do ânus, preparando-o para ser usado, o que demora pelo menos 2 semanas;

∙ ANALLINGUS ∙

Palavra de origem latina para exprimir o sexo oral-anal. É o mesmo que “rimming” para os americanos;

∙ ASFIXIA ∙

Prática de restrição de ar ou do fluxo sanguíneo amplificando a sensação do orgasmo. Muito perigosa, podendo ocasionar a morte.

[B]

∙ BAUNILHA ∙

Termo usado para indicar o sexo convencional. Pessoas que não estão envolvidas em BDSM;

∙ BARRAS DE IMOBILIZAÇÃO ∙

São barras de metal ou madeira, de diversos comprimentos, geralmente com um gancho no seu centro, são utilizadas para manter braços e/ou pernas abertos e imobilizados. Podem vir com tornozeleiras e/ou pulseiras nas extremidades ou não. Dificultam ou impedem o submisso de andar e dão acesso à área genital. São utilizadas de diferentes maneiras quanto a sua fixação;

∙ BASTINADO ∙

De “bastão” (Do latim: “bastonis”,” bastum”) Ato de bater nas solas dos pés. Acredita-se que o bastinado teve sua origem no mundo árabe, onde até hoje é usado. Foi “importado” pelos europeus na época das primeiras cruzadas. Também é referido a algumas regiões da Ásia, como forma de castigo aplicada pelo marido à mulher e aos filhos. A ideia do castigo do bastinado no mundo árabe, além da dor física como forma de punição, é deixar o castigado sem poder andar temporariamente, devido aos ferimentos da punição, em uma clara posição de humilhação. O castigo consiste em imobilizar o submisso, normalmente com as solas dos pés para cima, e aplicar golpes com uma varinha de “canning” somente nas solas dos pés. Deve-se observar que os pés possuem um grande número de terminações nervosas e ossos delicados e a possibilidade de um acidente é real. Não se aplica o bastinado com objetos duros como pedaços de madeira ou chibatas;

∙ BDSM ∙

É a fusão de B.ondage e D.isciplina (BD) – D.ominação e S.ubmissão (DS) – S.adismo e M.asoquismo (SM);

∙ BONDAGE ∙

O “B” do BDSM. Bondage na verdade conforma as práticas de escravização. Popularmente usado para referir-se a atividades de imobilização com cordas, lenços, algemas de couro ou metal, tornozeleiras, “spread bars” (barras de alargamento que servem para manter pernas e braços abertos visando à imobilização do parceiro. Todas as “cenas” de Bondage remetem ao tema básico: o cativeiro. Dentro dos grupos e comunidades de BDSM existe uma regra básica de segurança, definindo que imobilizações ou “amarrações” só são feitas do tórax para baixo. Cabeça e pescoço são áreas proibidas devido à possibilidade de asfixia. Dentro do S.S.C. há um limite de tempo para se deixar alguém imobilizado, em decorrência da possibilidade de isquemia tecidual, ou seja, da falta de irrigação sanguínea em uma área. Algumas pessoas acham extremamente sensual a situação de estarem imobilizadas, à mercê de outrem. Estar fisicamente imobilizado dentro de um contexto de consensualidade dá a possibilidade para os aficcionados de experienciar sua sexualidade livremente, o que, talvez, de outro modo, estas pessoas poderiam não ser capazes de se permitir em virtude de questões morais ou de educação. Bondage pode ser também visto como a transferência da responsabilidade para quem coordena a ação;

∙ BOTTOM ∙

(Do inglês: “bottom”: fundo, inferior, nádegas) Termo em inglês para se referir ao submisso;

∙ BRANDING ∙

Queimadura na pele. Normalmente com ferros aquecidos ao rubro, para produzir escarificação. O Branding pode ser parte de uma cena, de um ritual ou modificação do corpo. Os desenhos geralmente consistem em linhas e curvas não conectadas, feitas individualmente e cada uma separada da outra por uma porção de pele não alterada. A razão para as linhas não conectadas é garantir que os elementos que formam o “design” da figura não cicatrizem em uma figura disforme. A pele humana cicatriza de maneira diferente da pele do gado. É o uso de um ferro em brasa, com uma letra ou símbolo para marcar definitivamente alguém. Deve ser sempre são, seguro e consensual. Historicamente, o branding é relacionado como símbolo de criminalidade ou escravidão. Marcas eram colocadas em criminosos na Idade Média, e em escravos. Encontrado na comunidade BDSM em relacionamentos estáveis e duradouros, onde o submisso consente em levar uma pequena marca de “propriedade”. Os locais mais comuns para o branding são os seios, a parte interna dos braços, a região lombar, nádegas e parte interna da coxa. Como, ao cicatrizar, o branding aumenta de tamanho, atingindo de 2 a 3 vezes o diâmetro original, especialistas em branding usam pequenos “moldes” para esta prática. É uma atividade bastante controversa dentro da comunidade BDSM. Mesmo feito com todos os cuidados é extremamente doloroso, traumático, agressivo ao corpo e permanente. E os relacionamentos humanos no mundo de hoje são mutáveis. Como dizia o poeta Vinícius de Morais, “Que seja eterno enquanto dure…”;

∙ BODY MODIFICATION ∙

Qualquer atividade de modificação ou ornamentação do corpo como ritual erótico, decorativo ou de fetiche. Comumente incluem tatuagem, piercing, branding e cortes superficiais;

∙ BUTT PLUG ∙

Objeto em forma de pênis, mas com um estreitamento na base, próprio para ser inserido no ânus. Normalmente de látex ou borracha. Alguns podem vibrar ou expelir líquidos. Podem ser usados para treinamento anal.

[C]

∙ CAGE ∙

(Do inglês: gaiola) Podem ser de metal ou madeira, mas devem ser grandes o suficiente para acomodar uma pessoa;

∙ CANE ∙

Uma vara de bambu ou rattan, que geralmente tem entre 30 e 60 centímetros de comprimento. Muito utilizada pelos ingleses durante sua permanência na Índia, como instrumento de disciplina;

∙ CANGA ∙

(Do chinês: “Kang-kia”) Instrumento de tortura que consiste em duas tábuas articuladas que se abrem no sentido longitudinal. Possue três ou cinco recortes simétricos por onde se encaixa e se prende a cabeça e os punhos ou, a cabeça, os punhos e os tornozelos do escravo. As tábuas são fechadas e o escravo é impedido de sair. Pode ter várias alturas diferentes aumentando o suplício do escravo;

∙ CATETER ∙

(Do grego “katheter”). Sonda cirúrgica. Instrumento tubular feito de materiais diversos, o qual é introduzido no corpo com o objetivo de retirar ou inserir líquidos e efetuar exames. No BDSM é utilizado para controle das necessidades fisiológicas do submisso;

∙ CATETER DE FOLEY ∙

Tipo de cateter onde um balão pode ser inflado com uma solução estéril em uma das extremidades;

∙ CAT O’ NINE TAIL ∙

(Do inglês: gato de nove caudas) Termo originalmente usado para se referir a um chicote usado pela marinha britânica em punições à bordo de seus navios de guerra. Atualmente usado para referir-se a chicotes com muitas pontas;

∙ CAVALETE ∙

Peça com quatro pés, revestida de espuma ou não na parte superior, podendo conter argolas para fixação dos punhos e tornozelos. Dentro do BDSM o cavalete é amplamente utilizado para a prática do spanking ou canning. O escravo debruça-se no cavalete e é atado nas argolas do mesmo. O cavalete deixa o escravo exposto ao dominador, pela posição assumida;

∙ CBT – COCK AND BALL TORTURE ∙

(Do inglês: Tortura de Bola e Pau) Prática de tortura que consiste em se aplicar jogos de tortura na região genital masculina. Basicamente se usam “clamps”, cintos de castidade para pênis, pesos, etc…;

∙ CERA/VELA ∙

Prática dentro do BDSM onde a parafina de uma vela é gotejada no corpo do submisso. Deve-se evitar derramar parafina muito de perto, bem como não se utilizar velas coloridas, porque o corante da parafina aumenta o ponto de liquefação da mesma. Velas coloridas, aromatizadas e similares, podem ocasionar queimaduras sérias;

∙ CHIBATA ∙

Peça composta de um cabo e uma haste semi-flexível, normalmente utilizada para montaria. Consegue-se bastante precisão no spanking;

∙ CHICOTE ∙

Composto de um cabo, uma única longa tira de couro, podendo ter na ponta um pedaço triangular de couro. É o instrumento usado pelos domadores de feras nos circos;

∙ CHUVA DOURADA/GOLDEN SHOWER ∙

É uma técnica de humilhação, onde o dominador urina no corpo do submisso;

∙ CHUVA NEGRA/SCAT ∙

Ato de defecar no submisso Deve-se notar que as fezes contem inúmeras bactérias e germes nocivos á saúde;

∙ CLAMP ∙

Prendedores usados em mamilos, escroto, etc. Acessório comum em uma cena de SM. Pode ter mola para aumentar ou diminuir a pressão, pode ter ganchos para se pendurar pesos ou correntes. Normalmente fabricados de plástico ou metal;

∙ COLEIRA ∙

Um símbolo de entrega usada por um submisso. Uma coleira é posta ou dada em um relacionamento como um profundo símbolo de entrega. Um submissa encoleirado é considerado como propriedade ou parceiro de um dominador. Pode ser usado também como equipamento em uma imobilização;

∙ CONSENSUAL ∙

Atividades ou comportamentos acordados e de conhecimento de todos os que estão envolvidos. A consensualidade verdadeira exige que todos os participantes envolvidos em uma prática BDSM, sejam dominadores ou submissos, tenham um mínimo de conhecimento do que vai ser feito e como vai ser feito, e tenham conhecimento dos possíveis riscos. No Brasil, a consensualidade ainda é algo pouco difundido e menos ainda praticada em seu sentido mais profundo. Não basta dizer, por exemplo, “vou te amarrar”. Tem de existir tanto por parte do submisso como por parte do dominador o conhecimento de como fazê-lo, controlando os possíveis riscos e controlando todos os aspectos envolvidos. Sejam técnicos, teóricos, práticos ou psicológicos;

∙ CONTRATO ∙

Um acordo escrito e formal entre as partes (dom e sub) definindo direito e obrigações de cada um. Estes contratos não têm qualquer valor jurídico, mas algumas vezes são utilizados para definir relacionamentos;

∙ CROSSDRESSING ∙

Ato de se vestir um homem de mulher ou mulher de homem. Mais comum entre homens submissos, do que em mulheres submissas, talvez por causas sociológicas. Em alguns grupos o homem submisso assume verdadeiramente o papel de mulher, inclusive servindo sexualmente. Uma espécie de travestismo;

∙ CROSS X ∙
(CRUZ DE SANTO ANDRÉ)

Cruz em forma de X, com argolas em todas as extremidades. Utilizada dentro do BDSM para imobilizar o escravo.

[D]

∙ DISCIPLINA ∙

O “D” do BDSM. Pode ser: punição, disciplina estruturada visando treinar o submisso, componentes de jogos de castigo/recompensa. A definição de Disciplina dentro do BDSM é muito ampla e será tratada em trabalho à parte;

∙ DOG PLAY/TRAINING ∙

Ato do submisso atuar e comportar-se como um cachorro ou cadela. Dentro do BDSM, deve comer em uma terrina, dormir aos pés da cama do dono, assumir posições previamente treinadas, etc… A prática de Dog Training requer adestramento como um cachorro/cadela.

[E]

∙ ELETROESTIMULAÇÃO ∙

Práticas de eletroestimulação não são frequentes dentro da comunidade BDSM. Talvez pelo perigo que potencialmente representam para a vida das pessoas envolvidas. Um ponto bastante reforçado por pessoas da comunidade é que eletroestimulação não é aplicação de choques elétricos e sim a possibilidade de dar ao parceiro estímulos externos completamente diferentes e atuando profundamente no corpo. Esta prática requer conhecimentos de anatomia e eletricidade para se alcançar todo o potencial existente. Pode-se, segundo depoimentos de aficcionados, conseguir a estimulação involuntária de nervos e músculos no corpo, gerando desde uma simples sensação de “formigamento” até seguidos orgasmos. Existem aparelhos específicos para esta prática que limitam a corrente utilizada e advertem claramente em seu manual de instruções que toda e qualquer atividade com eletroestimulação deve ser feita da cintura para baixo. Esta prática é proibida aos portadores de marca-passo, cardiopatas e pessoas que sofrem de epilepsia. Também é desaconselhada para pessoas que têm “piercings” no corpo;

∙ ENEMA/CHUCA ∙

Ato de se inserir no ânus e reto determinada quantidade de líquido, visando a humilhação, quebra de resistência psicológica ou preparo para o sexo anal. Também existe a palavra pouco utilizada “clister”, em português, ou “klistier”, em alemão, para designar enemas;

∙ ESCARIFICAÇÃO ∙

A escarificação é o ato de provocar pequenas cicatrizes na pele com instrumentos cortantes, lixas, ou materiais abrasivos. Prática pouco frequente na comunidade BDSM. Usada em situações de SM, e quase nunca encontrada em situações de BD e DS. Os cortes são superficiais e podem ter formas geométricas, letras, etc. Como há sangramento, o risco de transmissão de doenças é grande. É mais comum a auto-escarificação e existem sites na Internet dedicados a esta modalidade, que está pouco associada ao BDSM e vem ganhando espaço entre culturas alternativas. Socialmente encontrada em tribos africanas, algumas culturas da Polinésia e Oceania, são símbolos ritualísticos de passagem ou, na África, denotam o status marital de uma mulher;

∙ ESPÉCULO ∙

Instrumento médico usado para dilatar mecanicamente o ânus. Usado em práticas de exposição e jogos médicos. São feitos de plástico e descartáveis. Requer uma certa técnica a introdução de um espéculo no ânus.

[F]

∙ FIST FUCKING ∙

Do inglês: Fist: punho + Fucking (meter, na gíria) . Uma das mais intensas práticas dentro do BDSM. Consiste na introdução da mão (punho) no ânus.
Inicialmente, o dominador introduz vagarosamente os dedos, até conseguir um relaxamento muscular do parceiro. Deve existir uma grande cumplicidade entre o dominador e o submisso para esta atividade. Fisting requer tempo, atenção, cuidado e carinho. Com a lubrificação adequada, fisting não é necessariamente uma experiência dolorosa. De qualquer maneira, é consenso dentro da comunidade BDSM que a prática do fisting não é utilizada para causar dor e sim prazer no parceiro como uma forma intensa de penetração. Praticantes de Fist Fucking dizem que esta é uma atividade sensorialmente profunda, tanto para quem está recebendo como para quem está conduzindo. O fisting tem inúmeros componentes psicológicos: pode remeter à uma sensação de violação, humilhação ou abandono. O punho é um símbolo de poder, literalmente. A introdução do punho dentro do corpo de um ser humano tem um enorme impacto tanto emocional quanto sexual, pois diferente de objetos artificiais (vibradores, butt plugs, etc.) a destreza e o movimento da mão provoca uma sensação única. Lembramos que a introdução de qualquer coisa no ânus/reto é uma atividade de alto risco, que pode resultar em hemorragia;

∙ FISTING ∙

Inserção completa da mão no ânus (fisting anal). Esta prática requer tempo, conhecimento mútuo, relaxamento e paciência.

[G]

∙ GAG, BALL GAG ∙

Instrumentos que são inseridos na boca para evitar que um submisso possa falar. Podem ter a forma de bola, freio; podem ser rígidas ou moles. Não se devem usar as ballgags que possuem balão de inflar, pois podem induzir a um sufocamento. Deve-se também, ao se usar ballgags, convencionar uma “safe word” que possa ser entendida pelo dominador, como, por exemplo: batidas com as mãos ou pés, movimento de cabeça, ou algo similar, visando preservar a segurança da situação;

∙ “GATILHOS EMOCIONAIS” ∙

Associações de palavras, gestos, ações, comportamentos ou situações que provocam e desencadeiam reações emocionais. Um bom dominador deve possuir tato para perceber quais são os gatilhos que desencadeiam reações positivas e negativas em seus submissos. E deve ter responsabilidade para usá-los ou evitá-los também.

[H]

∙ HOJOJUTSU ∙

(Do japonês: “hojoju-tsu”)
Também referido como Kinbaku
Técnica tradicional de encarceramento e tortura usada no Japão feudal pelos samurais e pela polícia, com 4 leis fundamentais:

1. Impedir o prisioneiro de escapar;
2. Não causar nenhum dano físico ou mental ao prisioneiro;
3. Não divulgar a técnica de hojojutsu a ninguém que não pertença ao clã;
4. Ter uma concepção artística ao executar o hojojutsu.

Do Hojojutsu originou-se o Shibari
O hojojutsu foi aplicado até meados de 1900 pela polícia local japonesa.

[L]

∙ LIMITES ∙

As fronteiras das atividades no BDSM acordadas e conversadas entre dominador e submisso, definindo o que e até onde uma prática, uma cena ou um relacionamento podem ir. Limites devem ser obrigatoriamente respeitados. O limite se aplica às regras, cenas, práticas, níveis de dominação e submissão, duração das cenas, etc.

[M]

∙ MASOQUISMO ∙

O gosto erótico pela dor, humilhação em ser dominado. Algumas vezes o termo é usado para designar a pessoa que gosta de dor mais intensa, ou que tem prazer em atividades que causem maior nível de dor;

∙ MENTOR ∙

Um conselheiro, alguém em quem se possa confiar plenamente, e que tenha um certo conhecimento de técnicas BDSM. É um amigo e instrutor, tanto para a parte técnica como para a parte conceitual do BDSM;

∙ MUMIFICAÇÃO ∙

Prática de se imobilizar o submisso, enrolando o corpo deste com ataduras, plástico, filme de PVC transparente (Magipack), ou congênere, impossibilitando qualquer movimento. Cuidado especial deve ser tomado para se evitar asfixia. Algumas vezes a prática de mumificação induz o submisso a um estado eroticamente alterado de consciência, provocando um mergulho no interior de si mesmo;

∙ MEDICAL PLAY ∙

Consiste nas práticas com alguns objetos de uso médico. Os mais difundidos são: espéculos e ânsucópios. Enemas, cateteres, agulhas e fist fucking podem entrar em sessões de Medical Play. Luvas cirúrgicas descartáveis são comumente utilizadas. Existe aqui uma boa dose de exposição da região genital e, em função disso, pode-se pensar em estímulos sensuais subsequentes decorrentes de exibicionismo e do prazer advindo da sensação de estar envergonhado, que se somam aos estímulos principais, provenientes da relação de “dominação/submissão”.

[P]

∙ PAMATÓRIA ∙

Pedaço de madeira ou borracha, pesada, às vezes furada, similar á uma raquete de ping-pong, mas ligeiramente afilada, utilizada para spanking;

∙ PELOURINHO ∙

Coluna de pedra ou madeira com argolas na parte superior para fixação de cordas ou algemas. Existem alguns modelos com argolas para fixação de tornozeleiras. Inicialmente usado para castigar escravos, dentro do BDSM é utilizado para imobilização de escravos;

∙ PIERCING ∙

Embora o piercing não esteja envolvido diretamente em práticas dentro do BDSM, hoje é amplamente usado dentro de um conceito estético. Reportamos casos de submissos que usam piercings como forma de exteriorizar simbolicamente a entrega ao seu dominador. Registramos duas modalidades diferentes de piercings dentro do BDSM: as práticas temporárias, e o piercing como símbolo. Nas práticas temporárias são utilizadas agulhas ou piercings de calibres pequenos, e são mais comumente inseridos nos pequenos no escroto, ou nos mamilos. Os piercings no escroto que reportamos foram feitos subcutâneos, não penetrando profundamente. Nos mamilos, ao invés do piercing em forma de argola, reportamos para os casos temporários, o uso de agulhas que transfixavam os mamilos onde eram pendurados pequenos pesos. Ao término da sessão eram retirados. Piercings definitivos são usados dentro do BDSM nos mamilos e região genital. Podem ser dispostos em formas simétricas no escroto e ligados por pequenas correntes, dentro de jogos de imobilização. Piercings precisam ser feitos sob condições específicas que certamente não são as de uma sessão BDSM: Os instrumentos usados devem ser estéreis. O diâmetro do cateter guia (usado para fazer o furo) depende da densidade do tecido a ser perfurado. A pele é presa com uma pinça e aplicam-se agentes bactericidas no local. O cateter é inserido e o furo é feito. Retira-se o cateter e coloca-se o piercing, que deve ser de material hipoalergêncio. (ouro, platina, nióbio ou aço inoxidável cirúrgico). Piercings requerem de seis a oito semanas para cicatrização. Se for aplicado na região genital, a abstinência sexual durante este período é obrigatória. Lembramos que piercings podem causar hemorragia, necrose de tecido e danos a nervos. Técnicas diferentes aplicam-se a áreas diferentes do corpo. A escolha do calibre apropriado do cateter e do piercing é crucial;

∙ PONYBOY ∙

Submisso treinado para agir e se comportar como um pony, ou cavalo.
É um pouco incomum dentro do BDSM o fetiche por ponyboys;

∙ PRIVAÇÃO SEXUAL ∙

Ato de impedir física ou mentalmente que o submisso tenha prazer. Pode ser aplicado tanto por voz de comando, caso haja um condicionamento para tal, como por meio de aparelhos para impedir as sensações físicas;

∙ PROIBIÇÃO DO ORGASMO ∙

Ato de proibir, apenas pela ordem verbal a obtenção de orgasmo por parte do submisso. É comum o dominador ordenar ao submisso que não goze, a não ser que ordenado pelo dominador. Requer uma grande dose de concentração e autocontrole.

[R]

∙ RESTRIÇÕES ∙

Uma variante da imobilização, onde se priva o submisso de alguns dos sentidos: a visão, a audição, a fala, etc. Na comunidade BDSM é comum o uso de vendas, mordaças ou gag-balls, tampões de ouvido, etc. visando gerar no submisso uma expectativa, uma tensão do que está por acontecer. Em formas mais pesadas de práticas BDSM se tem conhecimento do uso de sondas uretrais para controle das necessidades fisiológicas do submisso e uso de cinto de castidade por tempo determinado, impedindo o ato sexual. Outra atividade bastante popular é a “proibição” do gozo por parte do submisso, onde este deve aguardar a permissão de seu mestre ou dominador para tal. Nota-se aqui o componente erótico que sempre está presente. O que se busca é prazer mútuo dentro do São, do Seguro e do Consensual;

∙ RIMMING ∙

É o sexo oral no ânus. Ato de lamber ou beijar o ânus.

[S]

∙ SEXO ANAL ∙

Embora largamente praticado fora do contexto BDSM, é utilizado como forma simbólica de posse e dominação ou de entrega e submissão. Exploram-se também as várias possibilidades do uso do ânus dentro do BDSM. Enemas, Fisting, Butt-Plugs para relaxamento dos esfíncteres, etc. Mas, basicamente, todos têm a mesma função: servir como veículo de prazer e simbolizar a entrega para outro de algo que não é comum e, portanto, especial;

∙ SHIBARI ∙

(Do Japonês: “Shibari” – amarrar)
Termo genérico utilizado atualmente para designar o bondage japonês.
Técnica de bondage extremamente estética, derivada do “Hojojutsu” (ver:- hojojutsu) e originária no Japão feudal, com profundas raízes na cultura Japonesa. Cada clã medieval japonês possuía sua própria técnica que era zelosamente guardada. Inicialmente era utilizada como forma de imobilização, castigo e punição aos prisioneiros.
O Shibari ou hojojutsu era aplicado pela polícia local e pelos samurais com dois objetivos principais: imobilizar a vítima e coloca-la em uma postura de submissão e humilhação.
O Shibari teve uma revalorização erótica á partir de 1960. No japão é formalmente conhecida como “Kinbaku-bi” e existem teatros especializados onde se pode, mediante pagamento de ingresso, assistir a um espetáculo de shibari. Os mestres de Shibari japonês são muito respeitados;

∙ SPANKING ∙

Nome utilizado dentro da comunidade BDSM para o ato de bater, notadamente na região das nádegas. Não se pode confundir o spanking dentro do BDSM e do S.S.C. com o ato da violência física. São situações diametralmente opostas. Nenhum dominador ou submisso corrobora ou aceita a ideia de que para entregar-se deve apanhar ou tomar uma surra. O spanking visa o prazer mútuo e é uma forma de se potencializar o desejo. Necessário fazer uma ressalva aqui, que em algumas culturas orientais, o ato de bater para estimular sensualmente é amplamente aceito e difundido, basta consultar o Kama Sutra. No Brasil spanking engloba o ato de bater com as mãos, chicote, vara, chinelo ou palmatória. Nos Estados unidos e Europa, há uma distinção entre o Spanking, Whipping e “Canning”. “Whipping” é qualquer atividade que envolva chicotes e Canning, que envolva varas. (bambu, rattan, etc.). No BDSM pratica-se o spanking de várias formas. Com a mão, aplicando-se palmadas, onde não é a força que importa, mas sim o ritmo e a constância; e com chicotes dos mais variados tipos, chibatas, chinelos, etc. Mas não com varas. Canning não é spanking. A prática de se bater com uma vara é extremamente perigosa e pode provocar sérias lesões internas. Raramente utilizada dentro do BDSM como forma de castigo severo. É consenso que o rosto e pescoço são áreas proibidas para spanking em virtude da quantidade de tecidos e órgãos que podem ser facilmente lesados. (ex: olhos, nariz, boca, cabeça). A maior parte das pessoas “SM” que gostam de punições corporais incluem o spanking em suas atividades. Uma cena de spanking começa com um “jogo” real ou imaginário de punição por alguma falta ou ato cometido pelo submisso No contexto BDSM spanking é associado para aumentar a sensação de vulnerabilidade física do parceiro. Muitos fatores, entretanto, são comuns na figura do dominador: autoridade, coerção erótica, humilhação e representação da figura paterna, que podem despertar mecanismos de prazer no submisso;

∙ SPREAD BAR ∙

Barras longas, usualmente de metal madeira com argolas e/ou furos em cada ponta, usadas em situações de imobilização para manter os braços ou pernas do submisso afastadas;

∙ SUCÇÃO ∙

Sucção da pele ou de órgãos genitais, realizado com o auxílio de bomba de vácuo manual ou eletromecânica. Pequenos copos de vidro ou plástico, conectados por tubos plásticos e aplicados aos genitais masculinos.
Pela diferença de pressão, provoca-se o “inchaço” da região onde é aplicado. Se utilizado com muita pressão, deixa marcas circulares roxas.
A medicina chinesa utiliza uma técnica similar;

∙ SWITCHER ∙

Do inglês “switch” (trocar) – Pessoa que tem prazer em atuar como dominador e submisso;

∙ SUSPENSÃO ∙

Técnica de imobilização onde o peso do submisso é totalmente ou parcialmente suspenso por algemas e tornozeleiras especiais. Não se faz suspensão só com cordas ou algemas ou tornozeleiras comuns. Esta prática requer cuidados especiais com o equipamento, fixação, tempo de permanência em suspensão e posição;

∙ SETE POR VINTE E QUATRO ∙
(7/24)

(De: 7 dias por semana, 24 horas por dia.) Filosofia dentro do BDSM onde, analisando de um modo simplista, as pessoas envolvidas se propõem a viver um relacionamento de Dominação/Submissão 24 horas por dia.

[T]

∙ TORTURA GENITAL ∙

O princípio básico da tortura genital é provocar sensações profundas e intensas diretamente nas zonas erógenas do corpo. A intensidade e as atividades variam de pessoa para pessoa e de prática para prática. Reportamos um grande cuidado dos praticantes para que não se ultrapasse o ponto onde a dor deixa de estar associada ao prazer. A área genital e os mamilos estão sujeitos a danos irreversíveis mesmo sob “castigos” moderados e os praticantes são muito cautelosos neste tipo de atividade. Pode-se usar gelo, velas (parafina), “imobilização”, prendedores, pesos e uma infinidade de equipamentos para se praticar tortura genital. Esta prática está na maioria das vezes inserida em um contexto mais amplo. É muito raro uma sessão só de tortura genital, entretanto muitos homens são particularmente sensíveis a castigos genitais, estimulando o Dominador a gastar mais tempo nesta modalidade. A tortura genital no submisso é conhecida como CBT (Cock and Ball Torture) e compreende toda e qualquer prática visando a impossibilidade de ereção, dor e/ou castigo físico no pênis, bolsa escrotal e púbis;

∙ TRAMPLING ∙

É o ato de ser pisado pelo dominador estando este descalço ou com sapatos. Mais comumente observado no fetiche por pés. Novamente, cabeça, pescoço, plexo solar, e região genital são proibidos segundo relatos dos praticantes do BDSM. Admite-se o trampling na região genital, desde que feito sem sapatos, e dentro da tríade do S.S.C., o conceito de segurança é duplamente observado. Um trampling na região genital masculina pode causar sérias lesões e, até mesmo, a perda das gônadas. Trampling no pescoço invariavelmente conduz a morte.


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